segunda-feira, 1 de junho de 2020

Contos de felicidade 1 - Essa tal felicidade



Você é feliz? Tem certeza? Como você se sentiria ao descobrir que ser feliz é mais fácil do imaginamos e que podemos ter buscado essa felicidade da forma errada? 

É inevitável ler essa palavra e não refletirmos um pouco sobre a nossa vida, nossas realizações ou sobre algum momento incrível que já vivemos. Algumas pessoas atrelam o tema felicidade a algum momento marcante do passado e que ficou registrado em uma fotografia ou algum tipo de memória palpável. Tem aquele que guardou a carteira de trabalho do emprego de 25 anos atrás pois lhe este trouxe maior realização. Teve também a senhora que tem guardado seu vestido de noiva por longos 35 para lhe ativar as memórias de seu dia mais feliz aqui neste planeta.

Acredito que se as pessoas tivessem a oportunidade de viajar no tempo uma única vez na vida, muitas delas viajariam para o dia do seu momento “mais feliz”. Pelo menos era o que nosso querido Rubem Alves faria. O nascimento do filho, o dia da graduação, o dia do casamento, um jantar de natal com a família toda, o último abraço num ente querido, ou seja, todos nós temos aquele momento especial que gostaríamos de viver novamente.  São memórias de momentos incríveis e que nunca mais voltarão, a não ser em nossas recordações ou sonhos mais melancólicos. E maior do que a felicidade daquele momento, é a dor de saber que ele nunca mais se repetirá da mesma forma e nem trará a mesma alegria gerada em tão especial ocasião.

Uma vez perguntei em sala de aula sobre qual tinha sido o momento mais feliz que os alunos já haviam vivido. Um disse que foi o casamento, outro que foi a viagem para a Europa, até que um respondeu “foi ontem a noite, quando jantei com a minha esposa e meu filho de 3 anos”. Naquele momento percebi que, se o momento mais feliz da vida de alguém foi há muitos anos atrás, é porque essa pessoa não teve nenhum outro momento de felicidade que prevalecesse sobre o primeiro. Ou seja, constatei que não temos sido proativos na criação de uma vida de felicidade, mas sim temos reagido ao mundo quando ele nos permite ser feliz. E o pior é que nos contentamos com isso.

Colocar a sua felicidade em coisas que você ainda não conquistou, também não é saudável e não ajuda ninguém a ser feliz. Fico assombrado quando alguém diz “só serei feliz quando tiver um filho”, ou “preciso daquele cargo para ser feliz”. Ninguém deve depositar a sua felicidade em algo que ainda não aconteceu e muito menos em algo que está fora do seu controle de ação. Se ter um filho ou ter tal cargo estivesse em meu controle, eu já o teria feito, afinal de contas, é só o que está me faltando para ser feliz, certo? Errado!

A felicidade é um estado duradouro de paz interior, satisfação e plenitude. E isso tudo ocorre no hoje, com experiências do passado e com sonhos para o futuro. Mas a felicidade deve ser medida no seu momento presente de vida. Ninguém é feliz por algo que viveu há cinco anos atrás e nem por algo que viverá no futuro. Ela é resultado de ações tomadas ao longo de uma vida, ou pelo menos de ações tomadas recentemente.

É claro, a felicidade pode e deve sim ser composta por esses momentos de extrema alegria como uma data memorável ou a realização de um grande objetivo, mas ela também é feita de coisas simples ou altruístas. Ajudar alguém necessitado ou apreciar de corpo e alma uma refeição simples com a família também são fontes que ajudam a aumentar e muito a felicidade. E são gratuitas fontes de felicidade. Para finalizar, deixo um conto para refletirmos sobre a nossa busca pela felicidade e se a estamos buscando no lugar certo.

“O velho executivo caminhava com lentidão em seu quarto enquanto refletia 
Sobre sua vida já vivida e sobre aquela que lhe faltava viver.
No passado, não lhe faltara velocidade para conquistar o mundo.
Conquistou mulheres, dinheiro, status e até o que ele mais queria que era poder.
Mas não era poder do verbo poder, no qual ele poderia ajudar pessoas, poderia ser um bom líder, poderia ser um bom marido. 
Enfim, ele queria o PODER que era o substantivo mesmo. Queria estar no topo da pirâmide, ser chefe, mandar nos outros. Ah, e como ele queria PODER!

Até que um dia, convidado ele foi para almoçar na casa de um subordinado.
O rapaz era simples, casa humilde, duas crianças pequenas e dez anos de casado.
Ao parar o carrão na porta, escutou crianças brincando e lá no fundo, como quem esbanja ousadia, a mulher do empregado cantando.
O anfitrião abriu a porta sorrindo, dizendo bom dia patrão, seja muito bem-vindo! Não repara não, a casa é simples, mas o convite foi feito de coração. 
Comeram comida simples, mas muito bem temperada
Beberam cerveja de segunda, mas estupidamente gelada.
Conversaram, se divertiram, e deram muitas, mas muitas risadas.
Entrou no carro para ir embora com uma sensação que ele não conhecia, uma tal felicidade.
Enquanto ele andava pelo quarto ainda refletindo, pensou em todo o poder que tinha tido mas de nada lhe servia mais. 
Como ele queria ter poder agora, só que do verbo poder mesmo. Como ele queria poder ser mais jovem e começar tudo de novo. Como ele queria poder ser feliz e curtir as coisas simples da vida. Ah, como ele queria PODER..
De repente, um insight veio à sua mente e então, ele se sentiu poderoso novamente.
Poderoso não por poder mudar o passado, pois isso o tempo não mais lhe permitia.
Mas poderoso por compreender, 
que a cada amanhecer, 
Deus lhe dava um novo dia!”

Prof. Marcelo Sattin é professor de Criatividade, Inovação e Liderança dos cursos de MBA da Franklin Covey, é Mestre em Criatividade e Inovação, Coach Sênior formado pelas melhores escolas de coaching do Brasil e sócio-diretor da MT Potencial Humano.

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