segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Mudança comportamental é dificílimo!


Vinte e cinco líderes reunidos em um hotel por 36 horas intensas aonde estão passando por um treinamento de desenvolvimento de competências de liderança. Quando o treinamento acaba, alguns líderes dizem que o treinamento foi “o melhor da vida dele”. A avaliação de reação foi a melhor dos últimos tempos. Toda a empresa percebe a mudança comportamental dos “novos líderes” nas primeiras semanas. Entretanto, após um mês, todos voltam para o seu comportamento original, esquecem dos novos comportamentos aprendidos, e aquele “treinamento maravilhoso” torna-se apenas parte de uma ótima recordação. 

Essa história é muito comum em organizações que buscam desenvolver seus funcionários. Entretanto, ela não está sozinha. Quantas pessoas se comprometem a fazer dietas e estão “sempre” buscando perder 5 quilos? Perder quilos não é difícil, o difícil é não ganha-los de volta e se manter no peso que você deseja. Por que isso acontece? Por que é tão difícil mudar comportamentos?

Para se compreender o porquê isso acontece, precisamos entender um pouco sobre o ser humano. Primeiramente, o ser humano age de acordo com aquilo que ele acredita, que são as suas crenças (valores, modelos mentais, propósito de vida, sonhos, etc). Sendo assim, ele somente mudará um comportamento se ele mudar a sua crença. 

Segundo ponto, existem dois tipos de mudanças: a técnica e a adaptativa. A mudança técnica acontece toda a vez em que aprendemos uma habilidade técnica (ex: aprender a mexer no computador, a jogar vôlei, a usar uma calculadora específica, balé, etc). Para uma mudança técnica, você precisa praticar alguma coisa repetidamente até adquirir a técnica que você busca. A outra mudança, chamada de adaptativa, está relacionada a uma mudança comportamental, o que envolve a mudança de crenças, e bem profundas. Grande parte das pessoas tratam problemas adaptativos com mudanças técnicas. Para um não fumante, é muito simples parar de fumar. É só não fumar. Para um magro que come pouco e faz exercícios é muito fácil dar palpite na vida do gordinho que não consegue emagrecer. O líder, quando vê o subordinado que não consegue se planejar, acha que um curso sobre planejamento e gestão do tempo irão resolver o problema. Eles não entendem que a mudança comportamental não se resolve de forma técnica, mas sim de forma adaptativa, mais profunda e combatendo crenças enraizadas que muitas vezes estão protegendo você.

Um empresário, que tinha dificuldades de se planejar e definir metas, passou por vários cursos sobre produtividade, gestão do tempo e planejamento e nenhum deles o ajudou a se tornar uma pessoa planejada. Ele sabia o que fazer, até chegava a colocar em prática as novas habilidades mas não conseguia transformar isso num hábito, visto que em pouco tempo ele deixava de lado os novos comportamentos. Resumindo, ele estava tentando resolver um problema adaptativo de forma técnica. Quando ele veio nos procurar, mapeamos a crença que o impedia de se planejar e pasmem, as suas crenças batiam de frente com os valores mais importante que ele tinha, que são liberdade e realização. No fundo, as crenças que ele tinha eram o “medo de não bater as próprias metas e se sentir um incompetente” e o “medo de perder a liberdade por ter que ficar preso em um planejamento”. Essas crenças inconscientes e invisíveis “protegiam” sua forma de viver seus valores. Quando ele tentava se planejar, uma voz invisível o “relembrava” de que mudar o comportamento “ameaçaria” os seus valores mais importantes. Como resposta, ele recuava e voltava a se comportar da forma antiga. E pior ainda, isso tudo gerava uma ansiedade maior ainda nele pois ele sabia como se planejar, tinha feito cursos, mas mesmo assim não estava conseguindo tornar isso um hábito.

Eu sempre fico com o pé bem atrás quando alguém promete mudança comportamental do tipo “mude a sua vida com coaching, treinamentos, PNL, Inteligência emocional, etc e tal”. Mudança comportamental somente acontece com o processo certo. O resto é puro marketing!

Prof. Marcelo Sattin é professor de Criatividade, Inovação e Liderança do MBA da Franklin Covey. Ele também é Mestre em Criatividade e Inovação (Portugal) e apaixonado por desenvolvimento de pessoas. Marcelo Sattin acredita que o ser humano pode se tornar incrível quando o seu potencial é desenvolvido da maneira correta. 


terça-feira, 30 de julho de 2019

O que realmente importa?


O que te move? Onde está o foco da sua vida hoje?

Nosso dia-a-dia é uma loucura. Nossa rotina muitas vezes consome os momentos que poderíamos ter com as pessoas que amamos e, sem perceber, abrimos mão dos nossos sonhos, amigos e família para termos uma vida de valores superficiais, nos esquecendo que nossa oportunidade de viver e ser feliz é única. 

Nosso tempo aqui neste planeta é breve demais e temos que viver o máximo que pudermos, mas VIVER mesmo! 

Bronnie Ware, enfermeira que cuidou de pacientes terminais, pesquisou e descreveu os 5 maiores arrependimentos vividos por eles.

  • “Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse.
  • Eu gostaria de não ter trabalhado tanto
  • Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos
  • Eu gostaria de ter ficado em contato com meus amigos
  • Eu gostaria de ter me permitido ser feliz”



Temos a crença de que precisamos abandonar nossas famílias para trabalhar pois assim só conseguiremos proporcionar a eles uma vida melhor, porém o que eles realmente precisam é da nossa presença e do nosso carinho. Nosso trabalho é importante sim, mas nossa realização profissional só será completa quando pudermos compartilhá-las com as pessoas que amamos.

Infelizmente, criamos um mundo que corre paralelamente à nossa felicidade no qual vivemos outros valores e criamos uma história que não é a que sonhamos. Se eu viver a vida dessa forma, nunca chegarei no futuro que me fará feliz. 
Felicidade está relacionado a originalidade. Precisamos ser originais e buscar a realização dos NOSSOS sonhos e não dos sonhos que nossos pais escolheram para nós. A felicidade existe quando assumimos o controle do nosso próprio navio e traçamos a nossa própria rota.

A maior mentira que eu posso contar é dizer que sou feliz vivendo valores que não são compatíveis com os que acredito e deixando de viver o que realmente importa. Vou parar de acreditar que o trabalho é mais importante que a minha família e que meus amigos. Vou fazer coisas simples que me dão felicidade, como ficar mais cinco minutos na cama pela manhã dizendo à minha esposa o quanto eu a amo e o quanto ela é linda. Vou ser autêntico e controlar a minha vida. Vou deixar de ser hipócrita para ser verdadeiro e íntegro nas minhas emoções e sentimentos. Vou parar de me preocupar com o que os outros pensam ou comentam de mim...não me importa mesmo! O que importa é ser feliz. 

Vou parar de brigar com as pessoas para provar que estou certo...isso não vai mudar o mundo. Vou entender que as pessoas são diferentes e que tem pensamentos diferentes dos meus, e isso é maravilhoso.

Vou trabalhar de forma mais inteligente: produzir mais em menos tempo. Vou me realizar profissionalmente sem abrir mão da minha vida.

Hoje eu tomei uma decisão: serei feliz! Vou viver como se fosse o último dia de vida, como aqueles pacientes terminais viveriam...intensamente e honestamente. Fico imaginando as pessoas no leito de morte...tenho certeza de que, se elas pudessem viver mais seis meses, elas não iriam querem comprar um apartamento na planta ou trabalhar 12 horas por dia...elas iriam fazer o que realmente importa.

Enfim, como dizia Érico Veríssimo, “Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente”.

E você, vive pelo seus valores?

Hoje eu escolho viver pelo que realmente importa e os convido a viverem também...

Porque não somos mais criativos?



“O homem criativo não é o homem comum ao qual se acrescentou algo; o homem criativo é o homem comum do qual nada se tirou” (Maslow).
A criatividade, apesar de ser uma característica inata de todo ser humano, encontra diversos tipos de obstáculos que, em diversos momentos, chegam a inibir completamente a capacidade criativa do indivíduo. Afinal, o que limita a criatividade humana, visto que todos nascem criativos? E se dermos ao termo criatividade uma acepção mais ampla, ela envolve diferente tipos de condicionamentos que importa identificar. 
Nestes últimos anos, pesquisei mais de 35 bloqueios criativos encontrados no ser humano. Vou compartilha-los com vocês por etapas, sem sobrecarregar o blog com textos longos e muito técnicos.
Começaremos com os bloqueios pesquisados por Simberg, que considerado um relevante especialista em bloqueios criativos cujo trabalho vale citar para que se compreenda melhor os principais obstáculos encontrados pela criatividade.

Segundo Simberg (apud PEARSON, 2012), os bloqueios à criatividade podem ser de três classes: perceptivos, culturais e emocionais. Neste texto iremos citar apenas os bloqueios perceptivos.
Bloqueios perceptivos.
O autor destaca que esta casta de bloqueio está relacionada à dificuldade que o indivíduo tem de perceber e dimensionar o problema que se almeja solucionar. Este bloqueio pode ser ocasionado pelos fatores a seguir:
1. “Dificuldade para isolar o problema”. O autor explica que o ser humanos tem dificuldade em compreender qual é a origem de seus problemas. É o que ocorre quando um aluno vai mal nos estudos porém desconhece a motivo. Esse tipo de dificuldade é a primeira barreira a ser superada, visto não ser possível resolver um problema sem delimita-lo;
2. “Dificuldade causada pela demarcação excessiva do problema”.  Delimitar um problema não significa ignorar os fatores que o cercam. É relevante, para a resolução de um problema, considerar tudo que o cerca, seu contexto, suas causas e suas consequências; Ferramentas de inovação como Design Thinking, Think X ou até mesmo outras buscam entender o problema em todo o seu contexto. 

Na Dinamarca, a administração de um asilo percebeu que os idosos estavam se alimentando mal. Na maioria dos casos, a solução seria mudar o cardápio. Entretanto, isso seria delimitar excessivamente o problema e ignorar todos as demais informações como: não é cultural os idosos da Dinamarca pedirem ajuda para alimentação; os idosos se sentiam mal por não poderem ter controle sobre a escolha da comida além de odiarem ter que comer sozinhos; a equipe de cozinheiros não produziam comida melhor não devido à falta de habilidades ou conhecimento mas devido as limitações econômicas e logísticas que os impediam de fazer algo mais saboroso.
3. Incapacidade de definir termos relevantes”. O ser humano possui dificuldade de manifestar um problemas através de palavras, dificultando o trabalho em equipe no qual os participantes devem compreender e compartilhar a nomenclatura utilizada. Durante treinamentos de sessões de feedback para liderança, percebo que pelo menos 50% dos participantes tem dificuldade em descrever o comportamento observado, se prendendo a descrições generalistas como "você foi muito produtivo" ao invés de "você conseguiu atingir a sua meta em 80% do tempo".

4. “Dificuldade de perceber relações remotas”. Esta é uma das principais chaves para a criatividade e também como um dos bloqueios mais danosos, o ser humano possui dificuldade em saber “aplicar uma solução válida em determinada situação a outras situações não relacionadas a ela”. Um pintor que pinta um quadro extraordinário muitas vezes não consegue aplicar a sua criatividade na hora de vender o seu quadro.
5. “Incapacidade de distinguir relações entre causa e efeito”. O ser humanos tem dificuldade em fazer relações claras entra a causa e o efeito de um problema, debater e pesquisar sobre o assunto para chegar a uma conclusão sobre o mesmo. Um exemplo é: Só atraímos clientela de baixo po­der aquisitivo porque nossos preços são baixos, ou nossos preços são baixos porque nossa clientela tem baixo poder aquisitivo? Devido a essa dificuldade, o dono da loja não consegue obter respostas para essa questão.

                Esses são alguns dos bloqueios criativos encontrados no ser humano. Na próxima atualização do blog, citaremos mais bloqueios criativos pesquisados. Desta forma, você poderá iniciar o processo de resgate da sua criatividade e de seus liderados também.