terça-feira, 30 de junho de 2020

Qual é o sentido da vida?

É muito comum chegarmos à crise da meia idade reflexivos sobre o tema “qual é o sentido da vida?”. O que estamos fazendo de passagem neste planeta e qual tem sido a nossa contribuição para a sociedade? O quanto estamos fazendo melhor a vida das pessoas ao nosso redor, nem que seja um pouquinho?
Eu gosto da imagem do corredor que está indo em direção a pira olímpica com a tocha em suas mãos, e quando ele percebe, ela está apagada há algum tempo. E isso acontece com todos nós, estamos numa corrida para pagar contas, subir de cargo, trocar de carro e muitas vezes nem sabermos o propósito disso tudo. Porque estamos fazendo o que fazemos? 
Perguntar sobre a nossa contribuição real para a sociedade nos direciona para o nosso propósito de vida. Ter um significado no que fazemos é o que nos motiva a prosseguirmos nossa jornada, superarmos nossas adversidades e nos transformarmos como pessoas. A história de hoje fala um pouco sobre rever as nossas motivações e nos ajuda a refletir sobre como podemos contribuir para melhorar a vida das pessoas à nossa volta.


“Um tiro no ar,
uma multidão avança
a respiração aumenta
as pernas se alternam gerando velocidade
cadência e sincronia,
o coração acelera e também encontra seu ritmo.
Aquela multidão se dispersa,
alguns avançam mais rápido, compassados, ritmados.
Grande parte fica pra trás, uns andam, outros correm,
mas todos seguem o mesmo alvo, cruzar a linha de chegada.
No meio de todos, um corredor acelera a passada, perna ante perna.
O chão passa rapidamente por baixo de seus pés como uma gigante esteira ergométrica.
Doze quilômetros, ele mantêm firme seus passos.
Até ali, ele já havia ultrapassado muitos adversários, já havia subido, descido e, segundo o marcador, já estava na metade do itinerário. A maratona havia chegado ao meio.
Coração bateu forte com o feito.
A cabeça agitada pensou na linha de chegada que tanto lhe desafiava, pensou na família, nos amigos presentes.
Trinta e dois quilômetros...algo aconteceu e ele se sentiu diferente. Seu coração descompassado, que batia empolgado, parou de repente.
Mais tarde, naquele mesmo dia, o atleta foi encontrado sem vida em sua casa. 
O corpo espalhado no sofá estava morto, mas ainda respirava.
Aqueles mesmos olhos, que brilhavam ao ver a linha de chegada, sombrios estavam, como que sua alma tivesse infartado.
O coração batia, mas apenas para bombear sangue. E era só isso.
A voz, sem variação de tons e sem vibração, resmungavam palavras mornas e sem nenhuma emoção.
Quem havia partido aquele dia não foi sua vida. Foi algo muito maior. Foi sua motivação. A motivação de cruzar a linha de chegada, mesmo que em último. A motivação para enfrentar climas, ladeiras, dores, câimbras e adversários sumiu e no lugar ficou um buraco.
Tênis, roupas, suor, calor, subida, respiração, enfim nada pesa mais para um atleta do que a falta de motivação.
 “Por que estou fazendo isso?” - ele repetia mentalmente.
E não encontrava sentido.
Ele se sentia como o corredor com a tocha apagada, que só percebeu que estava sem fogo pouco tempo depois de ter dado a largada.
Se o sentido da vida fosse correr, por que todos os outros não estavam correndo? – se perguntava ele.
Do outro lado da cidade, um boxeador sentado em seu corner se perguntava. “Será que o sentido da vida é simplesmente ver quem bate mais forte?” 
Já num bairro afastado, um empresário entrou em sua sala, abaixou a persiana e olhou-se no espelho. Questionou-se sobre a sua vida e pra que ele queria ganhar tanto dinheiro...um dia vou morrer e tudo isso vai ficar pra um herdeiro, começou a pensar.
Foi então que eles tiveram uma visão, não de seus próprios umbigos, que é para onde o ser humano olha desde os tempos antigos.
Eles viram as pessoas em sua volta. Mais precisamente, o impacto que eles causavam nas pessoas ao redor deles.
O corredor se lembrou do obeso que ele havia inspirado a correr e de todos os 50 quilos que a corrida lhe fizera perder.
O boxeador lembrou-se do jovem drogado que, ao entrar no ringue pela primeira vez, deixou para sempre o crack de lado.
O empresário, que foi o mais duro de coração, somente mudou sua mente quando um funcionário entrou pela porta e disse : “obrigado patrão, se num fosse você, num tinha dinheiro para colocar comida em casa não! Minha esposa ficou desempregada e, pra complicar a situação, ela ainda por cima está grávida. Deus foi muito bom comigo, por você ter nascido e ter me dado esse emprego. Hoje tem comida em casa, as contas tão paga e minha vida é um sossego. Dizendo isso, o funcionário abraçou o patrão, muito emocionado e agradecido. Naquele momento, as peças se encaixaram neste quebra-cabeça chamado vida, e ela começou a fazer sentido. E o seu chamado não era ser dono de empresa mas sim ajudar pessoas a terem dignidade, uma vida melhor, e sair da pobreza. E isso queimou seu coração.

E as motivações que haviam morrido há poucas linhas acima, ressuscitaram mais forte do que nunca. Estavam todos cheios de vida. Pois agora eles tinham um sentido e que não era o próprio umbigo, mas sim ajudar as outras pessoas a terminarem a sua própria corrida.


Prof. Marcelo Sattin é professor de Criatividade, Inovação e Liderança do MBA da Franklin Covey. Ele também é Mestre em Criatividade e Inovação (Portugal) e apaixonado por desenvolvimento de pessoas. Marcelo Sattin acredita que o ser humano pode se tornar incrível quando o seu potencial é desenvolvido da maneira correta. Email: marcelo@marcelosattin.com

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Contos de felicidade 3 - Amizade a primeira vista!



Segundo estudo de Harvard sobre felicidade que durou 75 anos, considerado o mais longo estudo de todos os tempos, pesquisadores descobriram que, ao final da vida, a coisa mais importante são os relacionamentos profundos. Quando eu digo profundo, quero dizer sobre aquelas amizades verdadeiras, que nos fazem ter a certeza de que o amigo(a) sempre estará lá quando precisarmos. 
A nossa história de hoje é sobre a amizade verdadeira. Você poderá desfrutar desta história com dois finais diferentes. Veja qual deles fala mais forte ao teu coração e reflita sobre as verdadeiras amizades que você tem cultivado pela sua vida.

Final 1 

Ele tinha acordado extremamente ansioso naquele dia
Cabeça a mil, quase não conseguia se concentrar em uma única coisa.
O único pensamento que relampejava com frequência em sua cabeça era “será que ele vai conseguir chegar a tempo?”.
Eles tinham mais de 30 anos de histórias juntos
Tudo começou na época de faculdade
Começaram com um bate papo informal e terminou com uma belíssima amizade
Em tudo eles se apoiavam, nos momentos felizes, na distancia, no sol, na chuva e principalmente nos momentos de dificuldades.
Lembrou dos momentos marcantes de sua vida e advinhe, o amigo sempre estava lá
No dia de seu casamento, 
Foi o primeiro a ser escolhido padrinho, mas mesmo que fosse o último, jamais deixaria o amigo sozinho.
Lembrou quando o amigo ligou em plena madrugada,
Para contar a maravilhosa notícia de que sua esposa estava grávida, e os dois festejaram até o sol raiar.
O tempo passou e com ele muitas coisas se passaram,
os pais envelheceram, os irmãos se casaram. O rosto que era liso e juvenil se encheu de rugas, os dentes amarelaram. E por mais improvável que fosse, o impossível aconteceu e os dois se separaram.
A amizade não acabou, foi apenas testada e apurada pela distância.
Ele se lembra como se fosse hoje o dia em que o amigo lhe deu a notícia do seu maior desprazer. Com voz sóbria ele disse:
Meu querido amigo, queria que você fosse o primeiro a saber 
Não fique triste comigo, mas por um bom tempo não iremos nos ver
Como você bem já sabe, eu e minha esposa desejamos muito morar fora
E depois de muitos anos pensando, acredito que chegou a hora.
Quando o avião partiu, um amigo ficou e o outro foi
O coração dividido, uma parte ficou com o amigo e a outra parte com o que viria pela frente. 
A amizade não morreu, sobreviveu, cresceu e se fortaleceu. Afinal, eles se falavam quase que diariamente.
Certo dia, o amigo que ficou, descobriu que estava com câncer e que teria que lutar com a doença.
La de uma terra distante, o amigo angustiado com a triste notícia,  correu para comprar sua passagem. Seria somente de ida. Queria ficar com o amigo e não sabia quando voltaria. 
Amigo, guenta firme aí pensou. Já estou chegando! Ele chegaria em 15 dias.
E do outro lado, ao saber que seu amigo viria, não se conteve e chorou. Chorou de alegria. Chorou ao saber que o amigo viria e isso já lhe dava forças para lutar.
Quando ele entrou no quarto, o amigo, aquele que estava deitado, doente, se aquietou e ficou mais tranquilo. 
Eles então se olharam sem falar nada. Naquele momento, eles pensaram em toda história que juntos eles tinham vivido. E sorriram.
Eles perceberam que mesmo longe, estiveram perto. Compreenderam que Deus sempre escolhe a dedo os anjos que ele coloca ao nosso lado e a eles damos o nome de amigo. E o que separa duas pessoas não é a distancia mas sim o “não estar presente”. A indiferença. E é aí que mora o perigo!!!
E pensaram também que amigo é assim mesmo, a gente torce para que o outro seja feliz, mas que sempre esteja perto.
A gente torce para o amigo casar, mas só se puder estar junto aos finais de semana.
E no final das contas, o amigo que esteve longe por muito tempo, esteve mais perto do que nunca. Esteve sempre presente.
Ele então disse “oi meu amigo”, e o outro sorriu. 
Os dois passaram juntos essa guerra, um amigo acamado e o outro ao lado.
Oraram, riram, choraram e ao final, lutaram juntos e ganharam.
A doença passou e a amizade cresceu.
No dia da viagem de volta do amigo, aquele que havia adoecido, segurou em suas mãos, olhou em seus olhos e agradeceu
Obrigado amigo, foi muito bom ter você aqui comigo
Se você não estivesse ao meu lado, talvez eu já até tivesse partido.
Sou muito grato pelas amizades que tenho, em especial sou grato a você
Por isso quero te agradecer, vá com Deus e volte logo, 
meu amado irmão, meu querido amigo.
E os dois se abraçaram antes do avião partir


Amizade a primeira vista! Final 2 

Ele tinha acordado extremamente ansioso naquele dia
Cabeça a mil, quase não conseguia se concentrar em uma única coisa.
O único pensamento que relampejava com frequência em sua cabeça era “será que ele vai conseguir chegar a tempo?”.
Eles tinham mais de 30 anos de histórias juntos
Tudo começou na época de faculdade
Começaram com um bate papo informal e terminou com uma belíssima amizade
Em tudo eles se apoiavam, nos momentos felizes, na distancia, no sol, na chuva e principalmente nos momentos de dificuldades.
Lembrou dos momentos marcantes de sua vida e advinhe, o amigo sempre estava lá
No dia de seu casamento, 
Foi o primeiro a ser escolhido padrinho, mas mesmo que fosse o último, jamais deixaria o amigo sozinho.
Lembrou quando o amigo ligou em plena madrugada,
Para contar a maravilhosa notícia de que sua esposa estava grávida, e os dois festejaram até o sol raiar.
O tempo passou e com ele muitas coisas se passaram,
os pais envelheceram, os irmãos se casaram. O rosto que era liso e juvenil se encheu de rugas, os dentes amarelaram. E por mais improvável que fosse, o impossível aconteceu e os dois se separaram.
A amizade não acabou, foi apenas testada e apurada pela distância.
Ele se lembra como se fosse hoje o dia em que o amigo lhe deu a notícia do seu maior desprazer. Com voz sóbria ele disse:
Meu querido amigo, queria que você fosse o primeiro a saber 
Não fique triste comigo, mas por um bom tempo não iremos nos ver
Como você bem já sabe, eu e minha esposa desejamos muito morar fora
E depois de muitos anos pensando, acredito que chegou a hora.
Quando o avião partiu, um amigo ficou e o outro foi
O coração dividido, uma parte ficou com o amigo e a outra parte com o que viria pela frente. 
A amizade não morreu, sobreviveu, cresceu e se fortaleceu. Afinal, eles se falavam quase que diariamente.
Certo dia, o amigo que ficou, descobriu que estava com câncer e que teria pouco tempo de vida.
La de uma terra distante, o amigo angustiado com a triste notícia,  correu para comprar sua passagem. Seria somente de ida. Queria ficar com o amigo e não sabia quando voltaria. 
Amigo, guenta firme aí pensou. Já estou chegando! Ele chegaria em 15 dias.
E do outro lado, ao saber que seu amigo viria, não se conteve e chorou. Chorou de alegria. Chorou ao saber que o amigo viria se despedir daquele que tanto lhe fazia sorrir.
Ele chegou a tempo para o último suspiro do amigo. Quando ele entrou no quarto, o amigo, aquele que estava deitado, doente, se aquietou e ficou mais tranquilo. 
Eles então se olharam sem falar nada. Naquele momento, eles pensaram em toda história que juntos eles tinham vivido. E sorriram.
Eles perceberam que mesmo longe, estiveram perto. Compreenderam que Deus sempre escolhe a dedo os anjos que ele coloca ao nosso lado e a eles damos o nome de amigo. E o que separa duas pessoas não é a distancia mas sim o “não estar presente”. A indiferença. E é aí que mora o perigo!!!
E pensaram também que amigo é assim mesmo, a gente torce para que o outro seja feliz, mas que sempre esteja perto.
A gente torce para o amigo casar, mas só se puder estar junto aos finais de semana.
E no final das contas, o amigo que esteve longe por muito tempo, esteve mais perto do que nunca. Esteve sempre presente.
 Ele então disse “oi meu amigo”, e nesse momento o outro partiu, sereno, deixando esse mundo terreno e foi para os braços de Pai. Como quem esperava o amigo dizer “pode ir”. E ele foi!
Após o enterro, o amigo que ficou olhou para cima e a lagrima que caia se transformou num sorriso
Ele estava feliz por que sabia que a distancia nunca havia os separado e não seria agora que os separaria
E em vez de lhe dizer adeus
Disse “até logo meu velho
Me espere ao lado de Deus. Te vejo em breve!
E o amigo sorriu do céu!

Valorizem seus amigos enquanto podem!
















terça-feira, 9 de junho de 2020

Contos de felicidade 2 - O velho e o piano

Qual é a idade certa para se parar de sonhar? Outro dia perguntei a uma conhecida, na casa de seus 70 anos de idade, quais eram seus sonhos. Fiquei surpreso quando ela me respondeu “não tenho mais, já realizei todos”.

Existem dois fatores altamente potencializadores de felicidade em nossas vidas: sonhar e realizar sonhos. Se tem algo que eleva e muito o seu nível de felicidade é você olhar para trás e ver quantas coisas realizou em sua jornada. Cada bandeira que fincamos em nossos “Everests” nos traz uma sensação de realização maravilhosa e nos impulsiona a novos desafios. 
Por outro lado, olhar para frente e ver quantas coisas podemos realizar também é algo que pode nos trazer muita felicidade. Olhar para o futuro com olhar otimista e nos lançarmos em desconhecidos desafios nos tira de nossa zona de conforto como alguém que nos arranca da cama pela manhã e nos diz “ei, a vida ainda não acabou, ainda tem muita coisa nova para viver!”
O problema é quando sonhamos muito e realizamos pouco. Sonhamos em conhecer a Europa mas nos contentamos em passar o feriado nas cidades serranas de São Paulo. Sonhamos em estudar no exterior e nos contentamos com uma pós-graduação online. Sonhar e não realizar nos traz uma sensação de fracasso, incompetência, falta de determinação e outras emoções negativas que inundam a nossa mente. Aí começamos a contar mentiras para nós mesmos no intuito de justificar a nossa falta de ação. “Estou muito ocupado, estou muito velho, agora tenho que cuidar dos filhos” e por aí vai a lista de desculpas que inventamos para vivermos tranquilos com nossas consciências.
Sonhar não necessariamente precisa ser algo colossal. Pode ser ler um livro, tocar um instrumento, assistir a uma peça de teatro, ver um neto se formar, dormir uma noite num hotel chique da capital, etc e tal.
Pense que a vida que você tem hoje está te dando uma chance única para fazer feitos extraordinários. Extraordinário não quer dizer que você irá mudar o mundo, mas simplesmente que você irá fazer algo significante para você. 
Foi o que aconteceu com um velho professor de geografia.

“A história de hoje se passou há 10 anos atrás,
Quando um velho professor de geografia, que já havia ensinado muito na vida, resolveu sentar na cadeira de aluno e aprender algo que ainda não sabia.
Resolveu aprender a tocar piano, sua paixão platônica de infância. E de sua falecida esposa também. Só que ele sempre arrumara desculpas para não aprender, que estava muito velho, que estava ocupado, até o dia que ele percebeu, que dentre todas as pessoas, só uma havia se prejudicado...ele mesmo.
Naquela manhã de um dia nublado, ele então caminhou determinado, como quem ia para uma missão. Vestiu seu moletom, pegou os seus óculos de grau, ajustou o chapéu e a tiracolo, uma sacola de mão.
Repentinamente um calafrio tomou conta de sua alma e da sua mente, e seu corpo foi tomado por uma juventude efervescente.
Aquela mente, que não tinha mais perspectivas, começou a se encher de vida e a enxergar um mundo completamente novo pela frente.
Aprender, tocar, sonhar, se permitir algo novo, errar, quantas coisas novas ele poderia viver e experimentar. Por outro lado uma sensação de vazio, um medo de quem sabia muito e ao mesmo tempo sabia nada.
Aquele senhor de 78 anos de idade havia descoberto uma coisa chamada humildade. Essa é uma palavra que só chega em nossa vida quando admitimos que, mesmo apesar de todo nosso conhecimento, nós nunca seremos donos da verdade.

Começou então a acelerar seus passos lentos e começou a ficar ansioso só de pensar em chegar ao seu destino.
Já pensava em todas as músicas que queria aprender a tocar: clássica, rock, bolero, jazz, e todos os outras músicas que ele escutara desde quando era um menino.

A primeira aula foi um desastre. Os dedos envelhecidos e lentos martelavam as teclas e o som que ele imaginou que iria sair não saiu
O primeiro pensamento que veio em sua mente foi o de desistir, chutar tudo para o alto, mas ele não desistiu. 
Lembrou então da sensação maravilhosa que havia sentido, aquela de estar vivo.
Lembrou das vezes que queria começar a ter aulas, mas que tinha desistido
Lembrou do sonho de criança seu e de sua esposa, mas que por covardia, deixou adormecido.
E isso lhe acendeu a motivação
E ele foi para a aula todo santo dia, óculos tortos, chapéu na cabeça, moletom e uma velha sacola na mão.
Até que um dia, inesperadamente, aquele senhor foi convidado para tocar em sua primeira audição. E ele aceitou. Iria tocar uma música simples, fácil, mas que muito lhe agradava.
Quando chegou o grande dia, ele chegou mais cedo ao lugar, arrumou as cadeiras, se ajustou no piano e começou a praticar.
Quando chegou sua vez, sentou-se ao piano e abriu aquela velha sacola, e de lá tirou uma foto antiga da esposa, que eu acho até que era da época de escola. Começou a dizer então palavras que vieram do fundo de seu coração: “Essa música eu dedico, à minha querida parceira, que sempre acreditou em mim e que me incentivou a tocar. Por muitos anos eu fugi dos sonhos que eu tinha pra mim, e com um monte de desculpas cheguei até me enganar. Hoje estou aqui enfrentando meus medos, lutando pelos meus sonhos, pelo meu resto de vida. E eu descobri que a vida é assim, que só devemos parar de sonhar e realizar quando essa curta vida que temos chegar ao seu fim”.
E aquele senhor tocou sua música simples do mais profundo de sua alma. E para sempre ele prometeu que nunca mais abandonaria nenhum sonho seu”.

No dia em que abandonarmos nossos sonhos, a nossa alma também nos abandonará e irá viver num lugar escuro e vazio!

Prof. Marcelo Sattin é professor de Liderança dos cursos de MBA da Franklin Covey, Mestre em Criatividade e Inovação e palestrante sobre Felicidade e outros temas corporativos. Saiba mais no site: www.marcelosattin.com

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Contos de felicidade 1 - Essa tal felicidade



Você é feliz? Tem certeza? Como você se sentiria ao descobrir que ser feliz é mais fácil do imaginamos e que podemos ter buscado essa felicidade da forma errada? 

É inevitável ler essa palavra e não refletirmos um pouco sobre a nossa vida, nossas realizações ou sobre algum momento incrível que já vivemos. Algumas pessoas atrelam o tema felicidade a algum momento marcante do passado e que ficou registrado em uma fotografia ou algum tipo de memória palpável. Tem aquele que guardou a carteira de trabalho do emprego de 25 anos atrás pois lhe este trouxe maior realização. Teve também a senhora que tem guardado seu vestido de noiva por longos 35 para lhe ativar as memórias de seu dia mais feliz aqui neste planeta.

Acredito que se as pessoas tivessem a oportunidade de viajar no tempo uma única vez na vida, muitas delas viajariam para o dia do seu momento “mais feliz”. Pelo menos era o que nosso querido Rubem Alves faria. O nascimento do filho, o dia da graduação, o dia do casamento, um jantar de natal com a família toda, o último abraço num ente querido, ou seja, todos nós temos aquele momento especial que gostaríamos de viver novamente.  São memórias de momentos incríveis e que nunca mais voltarão, a não ser em nossas recordações ou sonhos mais melancólicos. E maior do que a felicidade daquele momento, é a dor de saber que ele nunca mais se repetirá da mesma forma e nem trará a mesma alegria gerada em tão especial ocasião.

Uma vez perguntei em sala de aula sobre qual tinha sido o momento mais feliz que os alunos já haviam vivido. Um disse que foi o casamento, outro que foi a viagem para a Europa, até que um respondeu “foi ontem a noite, quando jantei com a minha esposa e meu filho de 3 anos”. Naquele momento percebi que, se o momento mais feliz da vida de alguém foi há muitos anos atrás, é porque essa pessoa não teve nenhum outro momento de felicidade que prevalecesse sobre o primeiro. Ou seja, constatei que não temos sido proativos na criação de uma vida de felicidade, mas sim temos reagido ao mundo quando ele nos permite ser feliz. E o pior é que nos contentamos com isso.

Colocar a sua felicidade em coisas que você ainda não conquistou, também não é saudável e não ajuda ninguém a ser feliz. Fico assombrado quando alguém diz “só serei feliz quando tiver um filho”, ou “preciso daquele cargo para ser feliz”. Ninguém deve depositar a sua felicidade em algo que ainda não aconteceu e muito menos em algo que está fora do seu controle de ação. Se ter um filho ou ter tal cargo estivesse em meu controle, eu já o teria feito, afinal de contas, é só o que está me faltando para ser feliz, certo? Errado!

A felicidade é um estado duradouro de paz interior, satisfação e plenitude. E isso tudo ocorre no hoje, com experiências do passado e com sonhos para o futuro. Mas a felicidade deve ser medida no seu momento presente de vida. Ninguém é feliz por algo que viveu há cinco anos atrás e nem por algo que viverá no futuro. Ela é resultado de ações tomadas ao longo de uma vida, ou pelo menos de ações tomadas recentemente.

É claro, a felicidade pode e deve sim ser composta por esses momentos de extrema alegria como uma data memorável ou a realização de um grande objetivo, mas ela também é feita de coisas simples ou altruístas. Ajudar alguém necessitado ou apreciar de corpo e alma uma refeição simples com a família também são fontes que ajudam a aumentar e muito a felicidade. E são gratuitas fontes de felicidade. Para finalizar, deixo um conto para refletirmos sobre a nossa busca pela felicidade e se a estamos buscando no lugar certo.

“O velho executivo caminhava com lentidão em seu quarto enquanto refletia 
Sobre sua vida já vivida e sobre aquela que lhe faltava viver.
No passado, não lhe faltara velocidade para conquistar o mundo.
Conquistou mulheres, dinheiro, status e até o que ele mais queria que era poder.
Mas não era poder do verbo poder, no qual ele poderia ajudar pessoas, poderia ser um bom líder, poderia ser um bom marido. 
Enfim, ele queria o PODER que era o substantivo mesmo. Queria estar no topo da pirâmide, ser chefe, mandar nos outros. Ah, e como ele queria PODER!

Até que um dia, convidado ele foi para almoçar na casa de um subordinado.
O rapaz era simples, casa humilde, duas crianças pequenas e dez anos de casado.
Ao parar o carrão na porta, escutou crianças brincando e lá no fundo, como quem esbanja ousadia, a mulher do empregado cantando.
O anfitrião abriu a porta sorrindo, dizendo bom dia patrão, seja muito bem-vindo! Não repara não, a casa é simples, mas o convite foi feito de coração. 
Comeram comida simples, mas muito bem temperada
Beberam cerveja de segunda, mas estupidamente gelada.
Conversaram, se divertiram, e deram muitas, mas muitas risadas.
Entrou no carro para ir embora com uma sensação que ele não conhecia, uma tal felicidade.
Enquanto ele andava pelo quarto ainda refletindo, pensou em todo o poder que tinha tido mas de nada lhe servia mais. 
Como ele queria ter poder agora, só que do verbo poder mesmo. Como ele queria poder ser mais jovem e começar tudo de novo. Como ele queria poder ser feliz e curtir as coisas simples da vida. Ah, como ele queria PODER..
De repente, um insight veio à sua mente e então, ele se sentiu poderoso novamente.
Poderoso não por poder mudar o passado, pois isso o tempo não mais lhe permitia.
Mas poderoso por compreender, 
que a cada amanhecer, 
Deus lhe dava um novo dia!”

Prof. Marcelo Sattin é professor de Criatividade, Inovação e Liderança dos cursos de MBA da Franklin Covey, é Mestre em Criatividade e Inovação, Coach Sênior formado pelas melhores escolas de coaching do Brasil e sócio-diretor da MT Potencial Humano.